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IDEB 2021: estudantes do Ensino Médio Integral aprendem mais do que os do ensino regular 

O resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) 2021, o primeiro desde o início da pandemia do coronavírus, reforça as evidências que alçam o Ensino Médio Integral (EMI) ao posto de potencial transformador de realidades.

No Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), os estudantes que frequentam esse modelo de ensino estão, na média, 9 pontos à frente na escala. O IDEB, que une os conceitos de fluxo escolar e de aprendizado, e o SAEB, que reflete os níveis de aprendizagem, são os dois principais instrumentos de monitoramento de qualidade e equidade da educação brasileira. 

Essa edição dos indicadores, no entanto, aponta para um cenário complexo, consequente da pandemia. As análises consideram distorções provocadas por medidas como a aprovação automática nos dois anos de pandemia, que alterou a taxa de rendimento dos alunos.

Além disso, a baixa participação das escolas de Ensino Médio fragiliza o resultado (os dados evidenciam que apenas 37,9% delas tiveram seus índices divulgados). Mesmo nesse contexto, o Ensino Médio Integral demonstrou um engajamento mais elevado: 52% das escolas do modelo tiveram os resultados apresentados. Número quase 50% maior ao das escolas regulares (35%). 

O Ensino Médio Integral é uma proposta pedagógica multidimensional que se conecta à realidade dos jovens e ao desenvolvimento de suas competências cognitivas e socioemocionais, e propõe a formação integral dos estudantes.

É uma combinação de componentes curriculares já previstos na Base Nacional Comum Curricular, a BNCC, com pilares como projeto de vida, aprendizado na prática, protagonismo juvenil, orientação de estudos, além de disciplinas eletivas. Os efeitos são conhecimentos consistentes que aparecem nos números. 

Uma análise dos dados do IDEB e do SAEB de 2021 feita pelo Instituto Natura mostrou que um estudante de uma escola EMI tem um aprendizado significativamente superior ao de uma escola regular, mesmo na pandemia. 35% das escolas EMI tiveram nota igual ou maior a 5, contra 18% das escolas regulares. Os ganhos na aprendizagem são ainda maiores entre os estudantes mais vulneráveis. Entre as escolas de menor classificação no Indicador Socioeconômico (INSE), 24% das que seguem o modelo EMI registraram nota igual ou superior a 5, frente a apenas 6% das escolas regulares.

“Considerando que ambos os modelos (integral e regular) sofreram a mesma pressão de adversidades da pandemia, os dados parecem indicar que o EMI pode ser importante para garantir a aprendizagem e, sobretudo, para diminuir as desigualdades”, afirma Maria Slemenson, líder de Políticas Públicas do Instituto Natura, destacando o papel estratégico do modelo integral. 

Outra apuração, essa realizada pelo Instituto Sonho Grande, mostra ainda que um estudante do ensino integral atinge 10 pontos a mais em língua portuguesa e 9 pontos a mais em matemática na escala SAEB do que aqueles de escolas regulares, em todos os níveis socioeconômicos. A diferença equivale a cerca de 50% do aprendizado que um jovem teria na etapa, de acordo com o estudo do professor Ricardo Paes de Barros que concluiu que um estudante aprende, em média, 15 pontos em matemática e 20 pontos de língua portuguesa ao longo do Ensino Médio. 

Mesmo com maior concentração de estudantes inseridos em realidades vulneráveis, o resultado das escolas integrais ainda é superior ao das escolas regulares. Os indicadores justificam o fato de que, na média, as escolas de Ensino Médio Integral apresentam um melhor resultado no IDEB (4,7), impulsionado pelo melhor aprendizado e pelas ferramentas pedagógicas diversificadas, em comparação com as escolas regulares (4,3). A meta do IDEB do Ensino Médio para o Brasil foi de 5,2 em 2021. 

Os resultados dão sustentação aos esforços para a universalização do Ensino Médio Integral. O modelo vem crescendo no país e hoje representa 14,9% das matrículas – está presente em cerca de 4.301 escolas brasileiras e é acessado por quase 1 milhão de estudantes, segundos dados do Censo Escolar 2021. No Plano Nacional de Educação, está prevista a meta de, até 2024, oferecer educação em tempo integral em no mínimo metade das escolas públicas, atendendo pelo menos 25% dos estudantes da Educação Básica brasileira. 

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