Cooperação entre governos e sociedade civil pode ampliar o alcance das políticas de alfabetização


Debate no ImpactMinds 2026 abordou o papel das evidências, das parcerias e da colaboração regional no avanço da alfabetização na América Latina.

Como transformar experiências bem-sucedidas em políticas públicas capazes de alfabetizar todas as crianças na idade certa e sustentar os resultados ao longo do tempo? A questão esteve no centro de uma das mesas do ImpactMinds 2026, conferência anual da Latimpacto realizada em Manaus.

Karina Stocovaz, gerente sênior do Instituto Natura para Países Hispânicos, Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, e Veveu Arruda, diretor-executivo da Associação Bem Comum, discutiram caminhos para ampliar o alcance e a continuidade das políticas de alfabetização.

“Com a experiência do Brasil, conseguimos ver o que está mudando, mesmo em sistemas diferentes. É uma realidade que nos mostra que, sim, é possível fazer. Temos uma nova mobilização e um momento em que podemos mudar a alfabetização na América Latina. Com resultados, temos evidências reais, que podem ser compreendidas não somente pela área técnica”, afirmou Karina.

A experiência, no entanto, não significa replicar uma fórmula. As estratégias precisam considerar as condições de cada território e fortalecer quem estará à frente da implementação das políticas públicas. “Não é uma receita, é uma aliança, uma parceria. Precisamos apoiar aqueles os atores no desenvolvimento das melhores políticas”, acrescentou.

Coalizões ampliam recursos e conhecimento

Para Felipe Proto, a atuação conjunta permite somar recursos financeiros, conhecimentos e diferentes perspectivas para enfrentar os desafios da alfabetização. “Nos propusemos a resolver um problema grande, o da alfabetização. Para isso, a filantropia precisava encontrar outra forma de trabalhar. Quando nos juntamos, ganhamos em perspectiva”, afirmou.

No Brasil, Associação Bem Comum, Fundação Lemann, Motriz, Nova Foundation e Instituto Natura atuam conjuntamente no fortalecimento das políticas públicas de alfabetização. Nesse trabalho, cabe às organizações da sociedade civil apoiar o desenvolvimento das políticas, sem substituir o poder público.

“Quem está no território é quem transforma. É importante o terceiro setor saber o papel dele, que não é de substituir o Estado”, reforçou Veveu Arruda. “Nós queremos que o Estado se aproprie do conhecimento técnico que aportamos e construa a política pública. E se aproprie inclusive dos custos. É isso que gera a sustentabilidade no longo prazo”, concluiu.

Na América Latina, o Instituto Natura integra, ao lado do Instituto Evidências Educativas, da Fundação Sura e da Fundação Arcor, a Aliança Regional pela Alfabetização na América Latina, voltada à colaboração e à troca de aprendizados entre países.


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