América Latina tem oportunidade histórica de trabalhar pela alfabetização na idade certa

No âmbito da Assembleia Geral da ONU, organismos internacionais e entidades da região discutiram caminhos para acelerar avanços na aprendizagem da leitura e da escrita.
A América Latina vive um momento inédito de articulação entre governos, organismos internacionais e sociedade civil em torno da alfabetização inicial. Essa convergência esteve no centro do encontro “Alfabetizar a tempo: um compromisso latino-americano”, realizado em 22 de setembro, em Nova York, em evento paralelo à semana da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Organizado pela Aliança Regional pela Alfabetização, integrada pela Fundação Arcor, Fundação SURA, Instituto de Evidência Educativa e Instituto Natura, o evento reuniu na Education House representantes de organismos internacionais e fundações que atuam pela melhoria da alfabetização inicial na América Latina.
A dimensão do desafio ajuda a explicar a urgência dessa mobilização. Segundo o Indicador de Risco em Alfabetização Inicial (IRA), elaborado pelo Instituto de Evidência Educativa, 20 milhões de crianças entre 6 e 8 anos na região enfrentam risco para o desenvolvimento da leitura durante a etapa de alfabetização inicial.
As evidências indicam que adquirir no tempo adequado competências sólidas de leitura, escrita e compreensão é determinante para continuar aprendendo e desenvolver capacidades de ordem superior. A alfabetização também favorece a liberdade das pessoas, contribui para reduzir desigualdades, fortalece a cidadania e a coesão social e promove o emprego, a produtividade e o desenvolvimento econômico.
Avanços e caminhos para a alfabetização inicial
Durante o encontro, foram reconhecidos avanços obtidos nos últimos anos por governos nacionais e subnacionais da região, além do apoio crescente da sociedade civil. Foram destacados compromissos assumidos por lideranças políticas e autoridades de primeiro escalão, maior coordenação com outros setores e melhorias nos indicadores de aprendizagem em territórios específicos.
Os participantes concordaram que mudanças significativas podem ser alcançadas em períodos curtos quando os componentes considerados fundamentais pelas evidências são implementados de maneira coordenada. Formação docente inicial e continuada focalizada, currículo e recursos apropriados e práticas respaldadas por evidências estão entre os elementos apontados para as políticas públicas de alfabetização.
Para que esse movimento se traduza em melhorias concretas, também foram ressaltadas a necessidade de decisão e liderança pública, a definição de metas claras sobre o que significa um estudante estar alfabetizado, o investimento sustentado e eficaz e o fortalecimento dos sistemas de informação, gestão e avaliação educacional.
Uma agenda que reúne diferentes setores
O encontro reuniu lideranças do Banco Mundial, OCDE, Organização dos Estados Americanos (OEA) e Organização de Estados Ibero-americanos (OEI), além de representantes de fundações que atuam pela melhoria da alfabetização inicial na América Latina, como o Instituto Natura.
A representação da sociedade civil contou ainda com Fundación Compartamos, Fundación Coppel, Fundación Jacobs, Fundação Lemann, Fundación Luker, Fundación Pérez Companc, Fundación Tinker e Promotora Social México.
O encontro destacou o potencial de ampliar a cooperação entre organismos internacionais, governos e sociedade civil para transformar esse impulso em melhorias concretas na alfabetização inicial, com 2030 como horizonte para acelerar os avanços dessa agenda estratégica para a América Latina.
Confira alguns dos momentos do encontro em Nova York:








