Nove em cada dez brasileiras desconhecem leis que garantem acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama


Levantamento do Instituto Natura e da Avon revela que 44% das mulheres têm baixo ou muito baixo nível de conscientização sobre a saúde das mamas

Mesmo diante de sintomas suspeitos ou indicação médica, muitas brasileiras desconhecem seus direitos de acesso aos exames para investigar o câncer de mama. Segundo o novo Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas, 76% das entrevistadas não sabiam que é possível realizar mamografia pelo SUS em qualquer idade nessas condições. O levantamento também revela desigualdades no acesso à informação, especialmente entre mulheres mais jovens, de menor renda e atendidas pela rede pública.

A edição 2026 do Índice, iniciativa do Instituto Natura e da Avon, foi apresentada em 19 de outubro, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, durante um evento da campanha Se tem mama, tem conversa, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Conduzida pela agência Quiddity, a pesquisa ouviu 2.094 mulheres brasileiras a partir dos 18 anos, entre junho e julho de 2026, por meio de questionários on-line. Os resultados foram ponderados segundo critérios do Censo 2022 do IBGE, com nível de confiança de 95% informado pelo estudo.

Entre os principais resultados, o desconhecimento sobre direitos garantidos por lei chama a atenção:

  • 90% das entrevistadas não conhecem a Lei dos 30 Dias (Lei nº 13.896/2019), que estabelece prazo para a realização dos exames necessários à confirmação do diagnóstico quando há suspeita de câncer.
  • 92% desconhecem a Lei dos 60 Dias (Lei nº 12.732/2012), que assegura o início do primeiro tratamento em até 60 dias após o diagnóstico.
  • 44% apresentam níveis baixo (34%) ou muito baixo (10%) de conscientização sobre a saúde das mamas.
  • Embora 94% reconheçam que o câncer de mama pode ter cura quando descoberto precocemente, mais da metade não se sente preparada para ajudar alguém próximo que receba o diagnóstico.

Os resultados complementam os do Panorama do Câncer de Mama, outra iniciativa do Instituto Natura e da Avon, desenvolvida em parceria com o Observatório da Oncologia da Abrale e o Instituto Protea. Segundo o Panorama, 51% das mulheres atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025 estavam nos estágios 3 ou 4 da doença, quando o câncer já apresenta avanço local na mama ou metástase. O Índice investiga o que as mulheres sabem sobre os cuidados e os direitos que podem ajudá-las a buscar atendimento.

“Quando reunimos esses dados, tanto os públicos quanto o conhecimento das mulheres, conseguimos entender por que o câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil, que mesmo sendo o mais incidente, quando descoberto no início, tem chance de cura de 95%. Os direitos garantidos pelas políticas públicas ou por lei só podem ser buscados se as mulheres os conhecerem”, diz Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura.

Desigualdade no acesso à informação

O Índice mostra que o conhecimento sobre a saúde das mamas varia conforme a renda, a idade e o sistema de saúde utilizado. Mulheres atendidas pela rede privada, mais velhas e de maior nível socioeconômico apresentam índices significativamente superiores aos das usuárias do SUS, mais jovens e de menor renda.

“Os dados nos mostram que há uma desigualdade social marcante no país quando o tema é o acesso à informação. Mulheres usuárias do sistema privado, de maior nível socioeconômico e mais velhas, apresentam índices significativamente mais altos de conscientização se comparadas às mulheres usuárias do SUS, mais jovens e de menor renda, o que dificulta ainda mais garantir, para as cerca de 30% das mulheres que estão fora da faixa etária alvo do rastreamento, conhecer seus direitos de acesso à diagnóstico, quais são os sinais e sintomas e entenderem como agir diante de uma alteração para garantir seu diagnóstico mais cedo ”, reforça Mariana.

O levantamento também investigou as dificuldades relatadas pelas mulheres para realizar mamografia. Entre as entrevistadas com mais de 40 anos que nunca fizeram o exame, os principais motivos foram:

  • 23%: nenhum médico havia solicitado o exame;
  • 13%: medo de realizar a mamografia;
  • 12%: ausência de sintomas.

A frequência das consultas ginecológicas também aparece associada à realização do exame. Entre as mulheres que declararam ir ao ginecologista uma ou duas vezes por ano, 66% realizam mamografia. Entre aquelas que nunca frequentam consultas de rotina, esse percentual é de 21%. Os resultados consideram entrevistadas de todas as idades.

Prevenção e detecção precoce: o que ainda gera dúvidas?

A pesquisa identificou dificuldades para diferenciar medidas que ajudam a reduzir o risco de desenvolver câncer de mama daquelas relacionadas à detecção precoce. Embora exames e consultas sejam importantes para investigar alterações e identificar a doença, não impedem seu surgimento.

Os resultados mostram que:

  • 72% acreditam que realizar consultas e exames de rotina reduz o risco de desenvolver câncer de mama;
  • 62% atribuem essa função ao autoexame;
  • 50% não sabem identificar fatores ou hábitos que aumentam o risco da doença;
  • Apenas 39% associam o consumo de bebidas alcoólicas e a obesidade ao aumento desse risco;
  • Seis em cada dez mulheres desconhecem as etapas que compõem o tratamento do câncer de mama.

“O Índice de Conscientização foi criado justamente para identificar quais são os gargalos de comunicação e adesão da população em relação ao cuidado com a saúde das mamas e orientar quais são as mensagens prioritárias ao longo de todo o ano para de fato levar a informação que é necessária para as mulheres. Nosso objetivo é apoiar políticas públicas e campanhas de conscientização, tornando-as mais efetivas”, diz Jaqueline Marconi, coordenadora de Pesquisa e Monitoramento de Dados do Instituto Natura.

A conversa continua

O lançamento do Índice integra a campanha Se tem mama, tem conversa, realizada pela Avon e pelo Instituto Natura em sete países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México e Peru.

A iniciativa incentiva conversas sobre saúde das mamas e amplia o acesso a informações sobre detecção precoce, fatores de risco e direitos das pacientes. No Brasil, a campanha é endossada pelo Movimento pelo Cuidado das Mamas, parceria entre Instituto Natura, Avon, RD Saúde, Instituto Oncoguia e Rede Feminina de Combate ao Câncer.

Na página da campanha, estão disponíveis conteúdos educativos, orientações sobre direitos, materiais para compartilhar e informações sobre o Ligue Câncer, serviço gratuito do Instituto Oncoguia que recebe investimento do Instituto Natura.

Acesse o Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas 2026 e confira os resultados completos.

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