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“É preciso um compromisso coletivo firme para assegurar que a alfabetização seja uma política de Estado permanente”, afirma David Saad, do Instituto Natura


Encontro internacional do MEC reforçou a alfabetização na idade certa como tema estruturante para o futuro da América Latina.

A alfabetização na idade certa é a base estrutural sobre a qual se organiza todo o percurso educacional. Quando consolidada nos primeiros anos, sustenta as aprendizagens subsequentes e permite que crianças avancem com consistência ao longo da vida escolar; quando falha, compromete trajetórias e aprofunda desigualdades que desafiam a América Latina há décadas. Em escala, seus efeitos extrapolam a sala de aula e alcançam o desenvolvimento socioeconômico dos países.

“Estamos vivendo um momento único na América Latina: a alfabetização está deixando de ser vista como um tema restrito aos primeiros anos da vida educacional das crianças nas escolas e passando a ser reconhecida como base estrutural de todo o desenvolvimento do sistema educacional”, afirma David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura para a América Latina.

Ele ressalta que o impacto dessa agenda é estratégico para o futuro da região. “É preciso um compromisso coletivo firme, especialmente dos tomadores de decisão, para assegurar que a alfabetização seja uma política de Estado permanente.”

O alcance dessa transformação começa na vida de cada criança e se projeta na sociedade. “Se uma criança aprende a ler bem, isso permite que ela conclua seus estudos, avance para a educação secundária, chegue à educação superior e se torne um cidadão capaz de contribuir para o desenvolvimento da sociedade e de sua própria família”, declarou Jaime Saavedra, diretor do Banco Mundial, em visita recente ao Instituto Natura. É nessa dimensão que a alfabetização deixa de ser apenas meta educacional e passa a se afirmar como vetor de mobilidade social e desenvolvimento sustentável.

Esse entendimento pautou o Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro, realizado pelo Ministério da Educação (MEC) nos dias 23 e 24 de fevereiro, em Brasília. O evento reuniu delegações de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai em uma agenda concebida para combinar liderança política e aprofundamento técnico. Os debates trataram do direito à alfabetização como responsabilidade de altas lideranças, dos sistemas de avaliação, do regime de colaboração, da mobilização social e da sustentabilidade das políticas públicas, além das conexões entre alfabetização, equidade, cultura e direitos humanos.

“Se uma criança aprende a ler bem, isso permite que ela conclua os estudos, avance para a educação secundária, chegue à educação superior e se torne um cidadão capaz de contribuir para o desenvolvimento da sociedade e de sua família”
Jaime Saavedra, diretor do Banco Mundial

Na abertura do Encontro, Leonardo Barchini, ministro interino do Ministério da Educação, reforçou que o direito à alfabetização é um pilar estruturante do desenvolvimento integral de cada criança que vive no continente, do desenvolvimento social e econômico sustentável e da construção de um futuro mais próspero, justo, equitativo e soberano para a América Latina.“Quando observamos os esforços de países como Argentina, Colômbia, Chile, Peru, México e Uruguai, vemos um movimento consistente de enfrentamento do analfabetismo — essa tragédia que insiste em amarrar o futuro ao passado e que carrega, ainda hoje, cicatrizes profundas da história de colonização de nosso continente. Cada um desses países, a seu modo, tem estruturado marcos nacionais, avaliações, planos e mobilizações sociais para colocar a alfabetização no centro da agenda pública”, finalizou.  

O desafio regional é respaldado por evidências consistentes. O Estudo Regional Comparativo e Explicativo (ERCE 2019), conduzido pela UNESCO, indicou que 44,3% dos estudantes do 3º ano estavam no Nível I de leitura, abaixo do patamar mínimo considerado adequado para essa etapa no monitoramento da Agenda 2030. O dado dimensiona a escala do problema e reforça a importância de políticas estruturadas, com metas claras e monitoramento contínuo.

Brasil como referência na consolidação de políticas públicas

No Brasil, o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), instituído em 2023, definiu um padrão nacional para caracterizar a alfabetização ao final do 2º ano do ensino fundamental, com base na Pesquisa Alfabetiza Brasil (Inep, 2023). O Indicador Criança Alfabetizada, divulgado pelo MEC em 2025 com dados de 2024, apontou que 59,2% das crianças das redes públicas atingiram o patamar estabelecido — avanço em relação aos 56% registrados anteriormente. O indicador está associado a metas progressivas até 2030, reforçando o compromisso de ampliar, ano a ano, o número de crianças alfabetizadas.

A experiência brasileira, que combina metas nacionais, instrumentos de avaliação e cooperação federativa entre União, estados, Distrito Federal e municípios, tem sido acompanhada no diálogo regional como referência de política pública com escala e acompanhamento sistemático.

Movimentos semelhantes vêm se consolidando em outros países. Na Argentina, o Plan Nacional de Alfabetización foi formalizado em 2024, com compromissos assumidos pelas 24 jurisdições no âmbito do Conselho Federal de Educação, além da aplicação da avaliação Aprender Alfabetización 2024 no 3º ano, criando linha de base para orientar intervenções e monitorar avanços. No Chile, a agenda de aprendizagem leitora tem sido organizada em torno de metas nacionais de longo prazo. México, Peru, Colômbia e Uruguai também vêm fortalecendo estratégias nacionais e instrumentos de diagnóstico e acompanhamento para sustentar prioridade e continuidade na política de alfabetização.

“Quando observamos os esforços de países como Argentina, Colômbia, Chile, Peru, México e Uruguai, vemos um movimento consistente de enfrentamento do analfabetismo — tragédia que insiste em amarrar o futuro ao passado e que carrega cicatrizes profundas da história de colonização de nosso continente. Cada um desses países tem estruturado marcos nacionais, avaliações, planos e mobilizações sociais para colocar a alfabetização no centro da agenda pública”
Leonardo Barchini, ministro interino do Ministério da Educação

Além do Instituto Natura, outras importantes instituições atuaram como parceiras do MEC no Encontro Internacional, como a Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE), a Associação Brasileira de Alfabetização (ABAlf), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a UNESCO, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o Conselho Nacional de Secretários de Educação das Capitais (Consec), a Associação Bem Comum e a Fundação Lemann.

Ao contribuir para articular governos, sociedade civil e organismos internacionais, o Instituto Natura integra o esforço regional de transformar evidências em decisões públicas consistentes e decisões em implementação efetiva, com foco em equidade — condição para que a alfabetização na idade certa deixe de ser um desafio persistente e se consolide como base concreta de oportunidades para crianças em toda a América Latina.

23/2 – Painel 1 – Direito à alfabetização como compromisso de altas lideranças

Mediado por Sylvia Colombo, com a presença de Leonardo Barchini, Ministro Interino da Educação (Brasil); Sebastián Valdez, Secretario Técnico de Educación, Ministerio de Educación y Cultura (Uruguai); Xóchitl Leticia Moreno Fernández, Directora General de Desarrollo Curricular y Política de Educación Inicial (México); Sofia Naidenoff, Ministra de Educación, Cultura, Ciencia y Tecnología de la provincia del Chaco (Argentina); e Luis Guillermo Lescano Sáenz, Consejo Nacional de Educación (Peru).

23/2 – Painel 2 – Políticas de alfabetização e liderança pública em contextos subnacionais

Com a presença de Elmano de Freitas, Governador do Ceará (BR), Claudio Salas Castro, Alcade (Renca – Chile) , Gilia Gutiérrez Ayala, Governadora (Moquegua – Peru),  Emília Corrêa, Prefeita de Aracaju (BR) e Eduardo Ignacio Verano de la Rosa, Governador (Atlantico – Colômbia).

23/2 – Painel 3 – Sistema de avaliação em políticas de alfabetização

Painel composto por Manuel Palácios, Presidente do INEP (Brasil), Gabriela Salsamendi, Diretora Geral ANEP (Uruguai) e Alvaro Otaegui Morales, Especialista de dados da UNESCO (Chile).

23/2 – Painel 4 – Regime de colaboração na política de alfabetização brasileira  

Mediado por Felipe Michel (Foncede), com a presença de Katia Schweickardt, Secretária de Educação Básica (Brasil), Secretário Luiz Miguel, Presidente da UNDIME Nacional e SME Sud Menucci (Brasil), Natália Araújo, Secretária Municipal de Educação de Belo Horizonte e Representante do Consec (Brasil),  Secretária de Educação substituta do Sergipe e do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) (Brasil)

23/2 – Painel 5 – Mobilização social e política para a garantia do direito à alfabetização

Mediado por Priscila Cruz, Presidente do Todos pela Educação, com a presença de Veveu Arruda, Diretor Executivo da Associação Bem Comum (Brasil), Miriam Fabia, Presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) (Brasil), Ignácio Ibarzabal, Diretor Executivo da Argentinos por la Educación (Argentina) e Carolina Andueza, Presidenta da Por un Chile que Lee (Chile)

24/2 – Painel 6 – Políticas de alfabetização em perspectiva: pesquisadores e gestores públicos em diálogo

Mediado por Rosaura Soligo (Red latinoamericana de Alfabetización), com a presença de Tatiana Cisternas León, Professora do Programa Interdisciplinario de Investigaciones en Educación (Chile), Giovana Zen, Presidenta de la Red Latinoamericana de Alfabetización (Brasil),  Mirta Torres, Diretora de Educação Primária (Prov. Buenos Aires, Argentina)

24/2 – Painel 7 – Políticas de alfabetização em perspectiva: diversidades, desigualdades e o desafio da equidade educacional 

Mediado por Gabriela Nogueira (Abalf/Anped), com a presença de Graciela Quinteros, Professora da Universidad Autónoma Metropolitana (México),  Liliana Miranda, Investigadora associada ao Grade (Peru) e Josélia Gomes Neves, UNIR (Brasil). 

24/2 – Painel 8 – Políticas de alfabetização em perspectiva: prática docente em questão

Mediado por Monica Silva, com a presença de Paola Uccelli, Professora da Universidade de Harvard (Peru), Telma Leal, Professora da UFPE (Brasil), Nicole Paulet, Diretora Executiva da LABEDU (Brasil), Fernando Oliveira, UNIFESP e ABALF (Brasil) e Beatriz Diuk, Dale! (Argentina).

24/2 – Painel 9 – Alfabetização e infâncias: cultura, sustentabilidade, relações étnico-raciais e direitos humanos

Mediado por Alexsandro Santos (MEC/Brasil), com a presença de Edel Moraes, Secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural (Brasil), Pilar Lacerda, Secretária Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Brasil), Bárbara Oliveira Souza, Secretária-Executiva Adjunta do Ministério de Igualdade Racial (Brasil) e Fabiano dos Santos Piúba, Secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Brasil).

24/2 – Painel 10 – Políticas de alfabetização na perspectiva do desenvolvimento social e econômico no continente

Mediado por Débora Garofalo, com a presença de Jaime Saavedra (Banco Mundial), Marlova Noleto (Unesco), Joaquim Gonzalez (Unicef), Leonardo Barchini, Ministro Interino da Educação (Brasil) e Ximena Duenas, Especialista em Educação e Autora no BID (Brasil).

Crédito das fotos: Divulgação | Encontro Internacional MEC

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