Saúde mental nas escolas: o que está por trás do adoecimento de professores e estudantes?


Podcast Instituto Natura discute o sofrimento emocional na comunidade escolar e os desafios para enfrentá-lo

Em 2025, mais de 65 mil professores da rede pública brasileira se afastaram do trabalho por problemas de saúde mental, segundo dados do Ministério da Previdência Social citados pela Fundação Carlos Chagas. Entre os estudantes, os números também preocupam. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do IBGE, mostrou que 28,9% dos adolescentes de 13 a 17 anos disseram “ter sentido tristeza na maioria das vezes ou sempre” nos 30 dias anteriores ao levantamento.

No novo episódio do Podcast Instituto Natura, David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura, conversa com Carol Campos, fundadora e diretora-executiva do Vozes da Educação, sobre o que tem afetado emocionalmente professores e alunos.

“Antes da pandemia, nossos professores estavam exaustos; depois, é como se estivessem adoecidos”, afirma Carol, lembrando que a docência também é uma profissão de cuidado. Segundo ela, o contato frequente com situações de abandono e violência pode provocar a chamada “fadiga por compaixão”, associada ao desgaste emocional de quem acompanha de perto o sofrimento de outras pessoas. A esse peso somam-se a desvalorização, a desconfiança da sociedade em relação ao trabalho docente e uma formação continuada que nem sempre prepara os profissionais para os desafios da escola.

Na mesma PeNSE, 18,5% dos adolescentes disseram sentir, na maioria das vezes ou sempre, que a vida não valia a pena ser vivida. Entre as meninas, o índice chegou a 25%, mais que o dobro dos 12% registrados entre os meninos.

Ao ser questionada por David sobre “o quanto esses problemas desembocam na escola ou o quanto a escola pode ser causadora dessas situações”, Carol afirma que o ambiente pode tanto fortalecer vínculos quanto aprofundar dificuldades, sobretudo quando há bullying e rejeição. “Se o clima escolar não for trabalhado com cuidado, a escola torna-se um lugar de adoecimento”. Ela também comenta os efeitos da pandemia sobre a convivência entre os adolescentes e ressalta a necessidade de distinguir o sofrimento que exige acompanhamento especializado de situações próprias do desenvolvimento para evitar diagnósticos excessivos.

Outro ponto de atenção é a falta de informações sistemáticas sobre a saúde mental dos professores, já que os afastamentos oficiais mostram quem precisou interromper o trabalho, mas não quantos continuam em sala de aula enfrentando sofrimento emocional.

Ouça o episódio completo

O Podcast Instituto Natura lança novos episódios quinzenalmente, sempre às segundas-feiras. Acompanhe a conversa com Carol Campos e outros debates sobre a Educação na América Latina na página oficial do podcast.

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