Um em cada cinco brasileiros já teve contato com imagens íntimas falsas criadas por IA


Nova edição do Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres também mostra que 37% da população brasileira está nos níveis alto ou muito alto de conscientização

Pela primeira vez, o Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres traz dados sobre a percepção e a experiência da população brasileira em relação à violência digital contra as mulheres. A edição 2026 da ferramenta, desenvolvida pelo Instituto Natura e pela Avon, com apoio do Movimento Pela Vida das Mulheres e entrevistas realizadas pela Quiddity, incorpora o tema em um contexto de popularização das ferramentas de inteligência artificial e expansão de comunidades online que disseminam discursos de ódio contra as mulheres, como as chamadas comunidades “red pill”.

Os dados sobre violência digital, coletados somente com pessoas acima de 18 anos, mostram que o contato com imagens íntimas falsas produzidas por inteligência artificial é mais frequente entre homens e jovens de até 25 anos.

Já sabíamos que esse tipo de violência existia, mas somente com dados concretos conseguimos mensurar a dimensão do problema e traçar estratégias para enfrentá-lo”, afirma Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil.

Em 2026, 37% da população brasileira foi classificada nos níveis “alto” ou “muito alto” de conscientização em relação à violência contra as mulheres, oito pontos percentuais acima do resultado de 2025. Entre as mulheres, 44% estão nesses dois níveis; entre os homens, são 28%. Nos dois grupos, houve aumento em relação ao ano anterior.

Mais do que um resultado, o Índice é uma ferramenta que permite orientar esforços e iniciativas de transformação coletiva ao mesmo tempo em que acompanha a evolução na conscientização que buscamos”, explica Maria. “Ele que nos guia, por exemplo, na construção das nossas campanhas de conscientização. Este ano, o tema ‘Somos Maiores que a Violência’ foi escolhido justamente para convocar os homens para essa conversa.”

Os novos dados do Índice ganharam destaque na imprensa. Confira:

O que os dados mostram sobre as experiências das mulheres

Além de medir o nível de conscientização da população, o levantamento reúne dados sobre situações vividas pelas mulheres. Metade das entrevistadas afirmou já ter sentido medo pela própria vida durante uma discussão ou confronto.

Seis em cada dez relataram já ter passado por situações em que suas opiniões, ideias ou sugestões não foram levadas em consideração, comportamento associado à violência psicológica. Entre as mulheres para as quais essa situação se aplica, 32% relataram já ter deixado de receber pensão alimentícia do ex-parceiro, situação que pode configurar violência patrimonial contra a mulher.

Apesar de 81% de todos os entrevistados acreditarem que existem formas de violência contra as mulheres que vão além da física e da sexual, cada pessoa mencionou, em média, apenas 1,71 tipos de violência contra a mulher.

As três dimensões do Índice

O Índice analisa três eixos para medir o nível de conscientização da população sobre a violência contra as mulheres: Cognição, Atitude e Percepção.

Na dimensão de Cognição, 86% dos entrevistados concordam que a violência contra as mulheres é um problema grave no Brasil. Ao mesmo tempo, 68% afirmaram acreditar que a violência não distingue gênero.

Em Atitude, 56% das mulheres afirmam que chamariam a polícia se fossem vítimas de violência. Entre aquelas que efetivamente vivenciaram uma situação de violência, 17% relataram ter apresentado queixa a um órgão público e 14% buscaram ajuda em um serviço público especializado de atendimento à mulher.

Em Percepção, os inibidores emocionais são mencionados por 77% dos entrevistados e incluem o medo de que a situação piore ou o receio de retaliação do agressor. Os inibidores institucionais aparecem para 48%, incluindo o medo de que a violência não seja encerrada ou piore após uma denúncia formal. Já 30% mencionam a falta de conhecimento, como acreditar que outra pessoa mais preparada é quem deveria intervir.

Reconhecimento global

Atualizado anualmente no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México, países onde o Instituto Natura atua, o índice foi reconhecido recentemente pelo ESOMAR Awards, uma das principais premiações sobre impacto social no mundo, com o ouro e o bronze nas categorias Regional (América Latina) e Global de “Best Social Impact Research”. 

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