Aliança pela Alfabetização participa do 11º Fórum Nacional Extraordinário da Undime

Sala temática reuniu experiências de municípios que se destacaram na alfabetização com equidade racial.
Garantir que todas as crianças aprendam a ler e escrever na idade certa, de maneira equânime, passa por decisões intencionais, políticas públicas estruturadas e colaboração entre redes de ensino. Foi com esse foco que a Aliança pela Alfabetização participou do 11º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação, promovido pela Undime, em Brasília.
Formada pelo Instituto Natura, Fundação Lemann e Associação Bem Comum, a Aliança atua no apoio a políticas estaduais de alfabetização, a partir do regime de colaboração entre estados e municípios. Hoje, a iniciativa está presente em 18 estados brasileiros, alcançando quase 4 mil municípios e mais de 3,2 milhões de estudantes.
Realizado entre os dias 24 e 27 de maio, o Fórum celebrou os 40 anos da Undime e reuniu atores centrais para a educação brasileira, como o Ministério da Educação, dirigentes municipais de educação, especialistas e organizações parceiras para discutir desafios urgentes do ensino público no país. A programação abordou temas como financiamento, governança educacional, alfabetização, equidade, educação infantil, valorização do magistério e os impactos da inteligência artificial na educação.
Ao longo do encontro, também ganharam foco debates sobre o novo Plano Nacional de Educação, o Sistema Nacional de Educação, os Planos Municipais de Educação, além do Fundeb e do VAAR, mecanismo que considera critérios relacionados à redução das desigualdades educacionais.
Nesse contexto, a Aliança promoveu a sala temática “Caminhos para o sucesso da alfabetização: um olhar para o ICA e para a condicionalidade 3 do VAAR”. Com lotação máxima, o espaço reuniu dirigentes municipais interessados em compreender como políticas estruturadas, orientadas por dados e pela equidade, podem fortalecer os resultados de aprendizagem.
Durante a atividade, os municípios de Goiânia (GO) e São Cristóvão (SE), ambos apoiados pela Aliança por meio do Programa Educar pra Valer, compartilharam experiências desenvolvidas a partir de ações articuladas de formação, currículo, acompanhamento pedagógico e gestão. Conforme dados do ICA (2025), Goiânia (GO) atingiu 80% de crianças alfabetizadas na idade certa, simbolizando um crescimento histórico de 13,4 pontos percentuais desde 2023, o que colocou o município na 2ª posição entre as capitais brasileiras. Já São Cristóvão (SE) alcançou 85% de crianças alfabetizadas na idade certa, consolidando-se na liderança estadual. Os dois municípios superaram a meta nacional de 2030 (80%) cinco anos antes. A discussão conectou alfabetização e equidade racial ao debate sobre a condicionalidade 3 do VAAR, reforçando a importância de políticas que enfrentam desigualdades históricas e garantam oportunidades de aprendizagem para todas as crianças.
Para o Instituto Natura, a participação no Fórum reforça a importância da parceria com a Undime, um dos principais atores na articulação entre municípios, estados e governo federal para a implementação de políticas públicas educacionais. Ao promover espaços de troca entre redes de ensino de diferentes contextos, a entidade contribui para disseminar práticas, fortalecer soluções conjuntas e ampliar o diálogo sobre os desafios da educação pública brasileira.
“Há 40 anos, a Undime simboliza uma ponte para os municípios, especialmente os territórios com maiores desafios. Nas últimas décadas, o Instituto Natura pôde acompanhar esse trabalho de perto e é gratificante presenciar momentos como o Fórum Nacional. A alfabetização, como base da trajetória escolar, precisa ser pensada com intencionalidade antirracista para garantir que nenhuma criança fique para trás. Isso exige ações articuladas entre formação, currículo, acompanhamento e gestão, considerando o impacto do racismo nas oportunidades de aprendizagem. E a Undime está comprometida em ser um espaço que viabiliza trocas e discussões centrais como essa”, afirma Haline Floriano, coordenadora de Políticas Públicas de Alfabetização do Instituto Natura e representante da entidade no evento.
O encontro enfatizou uma certeza: alfabetizar na idade certa requer intencionalidade. Esse processo exige um olhar atento aos dados, o enfrentamento firme das desigualdades e a articulação de ações conjuntas.

