Congresso Jeduca debate o papel do jornalismo na agenda da Educação

Com apoio da Aliança pela Alfabetização, encontro discutiu eleições, dados educacionais, Inteligência Artificial e os desafios para a formação de leitores.
Em um ano marcado pelas eleições no Brasil, como ampliar o espaço da Educação no debate público e contribuir para que a sociedade acompanhe os compromissos assumidos para a área? O tema esteve entre os destaques do 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca – Associação de Jornalistas de Educação, realizado nos dias 22 e 23 de setembro, em São Paulo.
O Instituto Natura apoiou a edição comemorativa dos dez anos da Jeduca ao lado das demais organizações que integram a Aliança pela Alfabetização — Fundação Lemann, Associação Bem Comum e Nova Foundation. O encontro contou com jornalistas, especialistas e pesquisadores para discutir os desafios da cobertura de Educação e temas que devem ganhar espaço no debate público nos próximos anos.
Três painéis do primeiro dia colocaram as eleições de 2026 no centro das discussões, passando pelas diferentes visões sobre políticas educacionais, pelo espaço da Educação no noticiário e pelos desafios relacionados ao orçamento público.
Nesse contexto, dados e avaliações educacionais aparecem como ferramentas importantes para dar concretude à cobertura. Ao dimensionar avanços e desafios, os indicadores oferecem subsídios para acompanhar propostas e compromissos apresentados durante o período eleitoral e ajudam a manter a Educação em pauta para além da agenda imediata.
Ler é também compreender e questionar
No segundo dia do Congresso, a Alfabetização ganhou espaço a partir de uma questão que vai além da decodificação das palavras: a compreensão do que se lê. No painel “Leitura e escrita, o elo entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental”, as pesquisadoras Catherine Snow e Paola Uccelli, da Universidade Harvard, discutiram por que algumas crianças aprendem a ler, mas encontram dificuldades para compreender o que leem, além da importância das experiências e dos interesses dos estudantes no processo de aprendizagem.
Na avaliação de Bianca Siqueira da Silva, do time de Alfabetização do Instituto Natura, o debate reforçou a importância de aproximar as crianças da leitura desde cedo e de propor perguntas conectadas às suas experiências, despertando curiosidade e tornando a aprendizagem mais significativa. “Para além de aprender o processo de decodificação das palavras, é preciso criar condições para que os alunos compreendam o texto e desenvolvam curiosidade, façam perguntas e tenham prazer em aprender. A mensagem que me marcou é que aprender a aprender é algo que eles levarão por toda a sua trajetória educacional”, reforça.
Inteligência Artificial e os desafios para a leitura crítica
A relação entre Educação, jornalismo e Inteligência Artificial também esteve na programação. Um dos painéis reuniu jornalistas e especialistas para discutir como essas ferramentas vêm alterando as rotinas das redações e a relação das pessoas com a informação, com reflexões sobre pensamento crítico e a necessidade de verificar e avaliar os conteúdos produzidos com o apoio da tecnologia.
O debate se conecta diretamente à Alfabetização. Se ferramentas digitais ampliam as possibilidades de produzir e acessar conteúdos, também tornam mais importante a formação de leitores capazes de ir além da decodificação: compreender o que leem, fazer perguntas, analisar informações e construir suas próprias opiniões.
É nesse ponto que jornalismo e Alfabetização se aproximam. A circulação de informação de qualidade é fundamental, mas também é preciso formar leitores capazes de atribuir sentido ao que recebem e fazer escolhas informadas. Ao apoiar o Congresso Jeduca, o Instituto Natura contribui para fortalecer essas duas frentes e ampliar a presença da Educação no debate público.ara desenvolver seu potencial.
