Educação Profissional e Tecnológica: onde estamos neste tema

Novo episódio do Podcast Instituto Natura discute a expansão da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil e os caminhos para que a modalidade amplie as possibilidades de formação e inserção profissional dos jovens.
A Educação Profissional e Tecnológica (EPT) vem ganhando espaço no debate educacional brasileiro. Presente nas discussões sobre o Ensino Médio e nos planos de expansão das redes estaduais, a modalidade também aproxima a educação de temas como trabalho e geração de renda. Segundo o Censo Escolar 2025, o Ensino Médio articulado à formação técnica profissional reúne hoje pouco mais de 1,2 milhão de estudantes.
No novo episódio do Podcast Instituto Natura, David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura, conversa com Daniel Barros, subsecretário pedagógico da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, sobre as mudanças pelas quais a EPT passou, sua expansão recente e o que é necessário para que esse crescimento venha acompanhado de qualidade e equidade.
A própria percepção sobre a educação profissional mudou ao longo do tempo. Daniel lembra que ela surgiu no país muito associada à formação das camadas mais pobres da população e, décadas depois, passou a ocupar também instituições públicas reconhecidas pela alta qualidade e bastante seletivas, como os antigos Cefets, atuais Institutos Federais, e as Etecs, em São Paulo. Mais recentemente, as mudanças no Ensino Médio permitiram ampliar a oferta de cursos técnicos nas escolas regulares das redes públicas.
Essa expansão também mudou o lugar da formação profissional na trajetória dos estudantes. Fazer um curso técnico não significa necessariamente escolher entre entrar no mundo do trabalho e seguir para a universidade. “Essa dicotomia entre Ensino Superior e ensino técnico — ‘o aluno vai para o ensino técnico, então ele deixa de ir pro Ensino Superior’ — não corresponde à realidade no Brasil”, afirma Daniel. Muitos estudantes, explica, conciliam trabalho e graduação depois de concluir o Ensino Médio.
O crescimento da EPT, porém, traz o desafio de garantir a qualidade da formação oferecida. David organiza essa discussão em quatro dimensões: “atratividade, a qualidade do curso técnico em si, a articulação com o mercado, o setor produtivo […] e, por último, a qualidade da educação propriamente dita”. Daniel acrescenta que acompanhar os resultados da modalidade exige olhar tanto para os conhecimentos adquiridos durante o curso quanto para seus efeitos posteriores sobre ocupação e renda.
A conexão com o mundo do trabalho também exige diferentes estratégias. Alguns cursos podem responder diretamente às características produtivas de uma região, enquanto outros desenvolvem conhecimentos e habilidades aplicáveis a diferentes trajetórias profissionais. Administração, desenvolvimento de sistemas e logística estão entre os exemplos citados no episódio.
Ao olhar para o futuro da educação brasileira, Daniel se diz otimista, mas ressalta que os avanços precisam ser acompanhados pela recuperação das lacunas de aprendizagem acumuladas pelos estudantes. Para ele, garantir que essa evolução seja consistente é um dos desafios para os próximos anos.
Ouça o episódio completo
O Podcast Instituto Natura conta com episódios quinzenais publicados às segundas-feiras. Ouça o episódio completo nas plataformas de áudio e acompanhe outras conversas sobre os desafios e as oportunidades da educação na América Latina.
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