2º Seminário Gente que Soma reforça a importância da aprendizagem matemática desde a primeira infância 


Evento reuniu especialistas em educação, representantes de organizações da sociedade civil e do Ministério da Educação para discutir a alfabetização matemática e seu papel no desenvolvimento das crianças

Como promover o desenvolvimento do pensamento matemático desde a primeira infância? E qual o papel da escola para garantir que todas as crianças tenham oportunidades de aprendizagem desde os primeiros anos de vida?

Questões como essas orientaram os debates do 2º Seminário Nacional do movimento Gente que Soma – Aprendizagem Matemática para Todos, realizado em 15 de junho, em São Paulo. Promovido pelo Instituto Reúna, com apoio da B3 Social, da Aliança pela Alfabetização — formada por Associação Bem Comum, Fundação Lemann, Instituto Natura e NOVA Foundation —, da Fundação Itaú e da Fundação Telefônica Vivo, o encontro reuniu cerca de 150 educadores, pesquisadores nacionais e internacionais e gestores públicos para discutir o ensino e a aprendizagem de matemática no Brasil, com foco na primeira infância.

Ao longo de um dia de programação, especialistas do Brasil, da Argentina e dos Estados Unidos compartilharam evidências, experiências e reflexões sobre alfabetização matemática, desenvolvimento infantil, equidade educacional e políticas públicas voltadas ao tema.

O Seminário fomentou ótimas discussões sobre os problemas e as soluções possíveis para todos os educadores e reforçou que matemática precisa fazer parte do currículo desde a educação infantil, com a alfabetização matemática recebendo tanta atenção quanto aprender a ler e a escrever na língua materna”, afirmou Katia Smole, diretora-executiva do Instituto Reúna.

O processo de alfabetização em si é uma composição tanto da aprendizagem em matemática quanto na língua materna. Enquanto país, o Brasil avançou na alfabetização em língua portuguesa, mas a matemática ainda é um grande desafio educacional que se acumula a cada etapa de ensino. Por isso, é fundamental que as políticas públicas sejam propositivas para superar essa lacuna, iniciando o trabalho já nas brincadeiras lúdicas e respeitando sempre a idade e o desenvolvimento de cada criança. O Compromisso Nacional Toda Matemática e o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada são duas iniciativas potentes e integradas para avançar na educação brasileira. 

A leitura do mundo também se faz pelo aumento de repertório. Desde cedo, as crianças têm contato com formas geométricas, tempo, agrupamentos e sequências; tudo isso pode ser traduzido e usado de forma a garantir uma zona de aprendizagem, ampliando cada vez mais a consciência e conhecimento profundo sobre matemática”, pontua Haline Floriano, coordenadora de Políticas Públicas de Alfabetização do Instituto Natura e representante da entidade no evento.

Matemática desde os primeiros anos de vida

A promoção de experiências relacionadas ao pensamento matemático desde a primeira infância esteve no centro dos debates, que destacaram que esse processo não está relacionado à antecipação de conteúdos escolares, mas à criação de oportunidades para que as crianças desenvolvam competências fundamentais para compreender o mundo, resolver problemas e ampliar suas possibilidades de aprendizagem ao longo da vida.

A programação contou com a participação da pesquisadora Deborah Stipek, da Stanford Graduate School of Education, que apresentou reflexões sobre matemática na primeira infância, e de Nélida Maluf, do Ministerio de Educación, Cultura, Infancias y DGE, de Mendoza, que compartilhou experiências e estratégias implementadas na província argentina.

Aprendizagem e redução das desigualdades

Outro tema recorrente foi o papel da escola na redução das desigualdades educacionais. Pesquisas e evidências apresentadas indicaram que crianças em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica tendem a enfrentar mais dificuldades de aprendizagem, reforçando a importância de garantir oportunidades de desenvolvimento desde os primeiros anos.

Os especialistas defenderam a importância de aproximar a matemática das experiências vividas pelas crianças, com atividades relacionadas à observação, à organização, à comparação e à exploração do ambiente para contribuir para a construção de repertórios que serão mobilizados ao longo da vida escolar.

O pensamento matemático está presente em toda a nossa vida e não apenas nos cálculos. Ele aparece nas experiências do cotidiano e na forma como compreendemos o mundo. Desde a primeira infância, é possível criar repertórios que ajudem as crianças a desenvolver habilidades que serão fundamentais ao longo de toda a trajetória escolar”, reforçou Haline Floriano.

O seminário reuniu ainda representantes do Ministério da Educação, pesquisadores e especialistas para discutir políticas públicas voltadas à promoção da aprendizagem matemática, como Victor Eyng e João Paulo Mendes, do MEC, além de pesquisadores e representantes de organizações que atuam na agenda da alfabetização e da aprendizagem.

Ao final do encontro, os participantes reforçaram a importância de manter a matemática no centro do debate educacional, ampliando a discussão sobre estratégias capazes de garantir melhores oportunidades de aprendizagem para todas as crianças.

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