Reprovação ajuda ou atrapalha? O que as evidências dizem sobre a progressão continuada


O crescimento das taxas de aprovação reacende o debate sobre reprovação, progressão continuada e o que as evidências revelam sobre trajetórias escolares e aprendizagem.

Os dados mais recentes do Censo Escolar 2024 mostram que os índices de aprovação vêm crescendo em toda a educação básica, dos anos iniciais do ensino fundamental ao ensino médio. Entre os fatores associados a esse movimento está a adoção, por parte de algumas redes estaduais, da progressão continuada, um modelo que organiza a aprendizagem em ciclos e prevê acompanhamento pedagógico e reforço escolar, em vez da reprovação anual.
É com esse cenário que o Podcast Instituto Natura abre 2026. No primeiro episódio do ano, David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura, conversa com a socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, professora aposentada da Unicamp, titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna no Instituto de Estudos Avançados da USP, polo Ribeirão Preto, e presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo.

“Há um pensamento intuitivo de que, se os estudantes tivessem receio da reprovação, eles se comprometeriam mais”, observa David, ao trazer para a conversa uma ideia recorrente quando o tema é avaliação e aprendizagem na educação básica. A partir desse ponto, o diálogo se volta a confrontar essa percepção com o que mostram os dados e as pesquisas sobre trajetória escolar e aprendizagem.

Maria Helena explica que progressão continuada não é aprovação automática. Segundo ela, o modelo organiza a aprendizagem em ciclos e prevê avaliação ao longo do percurso, com a possibilidade de reprovação ao final de cada etapa, caso o estudante não tenha aprendido o que era esperado. Para que isso funcione, a escola precisa garantir acompanhamento contínuo, reforço pedagógico, avaliações frequentes e formação de professores. “O conceito de progressão continuada supõe que, ao final do ciclo, seja possível verificar se o aluno aprendeu o que deveria ter aprendido”, afirma.

A conversa também se apoia em evidências de avaliações nacionais e internacionais, como o Saeb 2023 e o Pisa, da OCDE, citados pela convidada ao longo do episódio. Esses dados ajudam a entender por que contextos com altas taxas de reprovação tendem a concentrar mais estudantes com aprendizagem insuficiente, enquanto redes que combinam progressão com acompanhamento pedagógico consistente costumam apresentar melhores resultados.

Sem respostas fáceis, o episódio convida à reflexão sobre o papel da escola, das políticas públicas e da avaliação no compromisso com a aprendizagem. Reforço pedagógico, recomposição das aprendizagens e propostas curriculares mais envolventes aparecem como caminhos possíveis para fortalecer trajetórias escolares.

O Podcast Instituto Natura conta com episódios quinzenais publicados às segundas-feiras.

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