Indicador Criança Alfabetizada mostra avanço histórico da alfabetização no Brasil em 2025


Com um índice histórico, o Brasil chega ao patamar de 66% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2025, se firmando como referência latino-americana na consolidação de políticas públicas voltadas à alfabetização na idade certa.  O dado é do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) divulgado hoje, 23 de março, pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e representa um avanço de quase 7 pontos percentuais em relação ao ano anterior, confirmando uma trajetória consistente de melhoria pelo terceiro ano consecutivo.

Construído a partir das avaliações conduzidas pelos sistemas estaduais de ensino, em articulação complementar ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o indicador permite acompanhar com mais precisão a evolução da alfabetização no país. Ao adotar um critério objetivo, a nota mínima de 743 pontos, estabelece de forma clara o que significa estar alfabetizado, facilita a compreensão dos resultados e contribui para qualificar o debate público e orientar decisões.

Divulgado anualmente desde 2023, o ICA fortalece o monitoramento do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).

Um indicador que orienta políticas públicas

A consolidação de uma métrica nacional comparável entre estados e municípios permite a construção de uma série histórica consistente e amplia a capacidade de análise do cenário educacional brasileiro. Com recortes para mais de 5 mil municípios, o indicador fortalece o planejamento de políticas públicas ao apoiar governos, organismos e a sociedade na identificação de desafios e no ajuste de estratégias.

Além de monitorar o CNCA, o ICA acompanha o avanço da aprendizagem e contribui para garantir o direito à alfabetização até o final do 2º ano do ensino fundamental. A meta nacional é alcançar 80% de crianças alfabetizadas até 2030, com objetivos intermediários para estados e municípios.

Segundo David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura para a América Latina, a consolidação do indicador fortalece a organização da agenda educacional. “Ter dados consistentes e com série histórica sobre a leitura e a escrita de crianças permite uma visão ampla e orienta ações concretas. Os dados apontam que o Brasil está avançando na direção certa e reforçam a importância do envolvimento de altas autoridades, como governadores, prefeitos e até presidentes, colocando a pauta na centralidade do debate sobre o desenvolvimento dos países. A instituição do ICA foi fundamental para esse compromisso político estabelecido em diferentes esferas da gestão pública”, afirma.

Pelo terceiro ano consecutivo, os índices de alfabetização apresentaram crescimento, com evolução de 7 pontos percentuais em relação aos 59,2% registrados anteriormente. O resultado evidencia a importância de políticas públicas estruturadas, com metas claras, instrumentos de avaliação e articulação entre diferentes níveis de governo.

Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura, afirma que os dados do ICA 2025 representam um divisor de águas para o país. Segundo ela, atingir essa meta demonstra que o objetivo de um Brasil alfabetizado “não é apenas possível, ele é viável”. Ela observa que já não há justificativas para retrocessos, diante do conhecimento técnico acumulado sobre o que funciona na alfabetização, do regime de colaboração fortalecido e do compromisso público em diferentes níveis de governo, somados ao reconhecimento de boas práticas por meio do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização.

Esse feito histórico precisa impulsionar nossa ambição de ter o analfabetismo erradicado. Se provamos que o sistema é capaz de entregar resultados dessa magnitude, nossa provocação agora é ousar ainda mais”, afirma. “Conhecemos o caminho. Agora, nosso compromisso é acelerar o passo até que o direito de estar alfabetizada até o 2º ano do ensino fundamental seja a realidade de cada criança, sem exceção”.

Reconhecimento às redes e estímulo à melhoria contínua

A divulgação dos resultados acontece junto à cerimônia da 2ª edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, realizada em 23/3, em Brasília, com a participação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro da Educação, Camilo Santana.

Instituído pelo Decreto nº 12.191/2024, o selo integra o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e reconhece o esforço das secretarias de educação estaduais, distrital e municipais na implementação de políticas, programas e estratégias de alfabetização.

Por meio de critérios técnicos, construídos em colaboração com as instâncias de governança da política e definidos em edital, o Selo avaliou, de forma transversal, a execução da política de alfabetização nos territórios, incluindo ações estruturantes viabilizadas pelos demais eixos do CNCA.   

A certificação considera múltiplas dimensões da política como: gestão, governança, formação, acompanhamento da aprendizagem e implementação de ações estruturantes. Também reconhece o trabalho coletivo de articuladores nacionais, estaduais, do Distrito Federal, regionais e municipais, bem como o papel fundamental dos gestores escolares e professores, a partir de evidências consistentes de sua execução, submetidas a um processo de avaliação e análises realizadas pelos territórios, que permite o reconhecimento dessas iniciativas como boas práticas no contexto da alfabetização.  

Mais de 4,7 mil redes públicas de ensino foram certificadas. Nesta edição, participaram 4.872 redes, o equivalente a 87,1% das que aderiram ao CNCA, e 97% delas obtiveram certificação, distribuída entre as categorias ouro, prata e bronze. A categoria ouro está vinculada ao atingimento da meta do ICA.

Sem envolver premiação financeira, o selo funciona como reconhecimento público do compromisso das redes com a alfabetização e como estímulo à disseminação de práticas bem-sucedidas.

Um movimento que ganha escala no Brasil e na região

Com apoio do MEC e de organizações da sociedade civil, como o Instituto Natura, integrante da Aliança pela Alfabetização ao lado da Associação Bem Comum e da Fundação Lemann, estados e municípios vêm estruturando políticas públicas mais consistentes e orientadas por evidências.

O protagonismo brasileiro na construção de políticas públicas de alfabetização também esteve em evidência no Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro, realizado no país em fevereiro de 2026, que reuniu representantes de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai.

Apesar da convergência em torno da prioridade, ainda há desafios na leitura comparada dos dados entre países, já que cada nação adota métricas e metodologias próprias.

Em breve, serão divulgados os resultados das redes do Indicador Criança Alfabetizada, ampliando a leitura sobre avanços e desafios da alfabetização no país.

Clique aqui para saber mais sobre os resultados da avaliação brasileira.

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