Por que é tão importante falar sobre igualdade de gênero?

Em campanha digital do Dia Internacional da Mulher, Instituto Natura Brasil, países hispânicos e Avon Hispana questionam desigualdades que ainda moldam trajetórias femininas.
Falar sobre igualdade de gênero nunca foi tão urgente.
No Brasil, casos de feminicídio e outras formas de violência contra mulheres continuam a ocupar espaço frequente no noticiário. Em 2025, o país registrou o maior número de feminicídios da última década, com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. Esse dado evidencia a dimensão de um problema que atravessa diferentes esferas da vida social.
Ao mesmo tempo, pesquisas mostram que muitas barreiras persistem de maneira menos visível, mas igualmente significativa. Para acompanhar esse cenário, o Instituto Natura e a Avon criaram o Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres, uma ferramenta permanente que mede o nível de informação e percepção da sociedade sobre o tema. A atualização mais recente, realizada em 2025, indica que 43% das brasileiras afirmam já terem sido impedidas de estudar ou trabalhar, e 75% relatam que suas ideias não são levadas em conta.
No mercado de trabalho, os desafios também se refletem nos rendimentos: as mulheres recebem, em média, 21% menos que os homens, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.
O acesso à informação é outro ponto sensível. A mais recente atualização do Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama, conduzido pelo Instituto Natura e a Avon, mostra que 37% das brasileiras afirmaram conhecer apenas o nódulo como possível indicativo da doença, enquanto 95% desconheciam a Lei dos 30 Dias, que garante prazo para diagnóstico. No campo da violência, 62% das pessoas declararam não saber reconhecer e agir diante de situações de violência contra mulheres, e menos da metade apresentou conhecimento considerado moderado sobre a Lei Maria da Penha.
Esses dados revelam que as diferenças de gênero se manifestam de várias maneiras — desde episódios extremos de violência até barreiras cotidianas que impactam oportunidades, reconhecimento e acesso à informação.
É a partir dessa reflexão que surge a campanha latino-americana do Instituto Natura Brasil, países hispânicos e Avon Hispana para o Dia Internacional da Mulher em 2026, que propõe o seguinte cenário: uma corrida em que todas as pessoas largam do mesmo ponto de partida, mas percorrem pistas com condições, desafios e critérios de pontuação diferentes. O esforço entre elas é semelhante, o talento também. Ainda assim, ao final, alguns resultados valem mais do que outros.
A metáfora traduz uma realidade conhecida: quando homens e mulheres enfrentam contextos distintos, falar apenas em igualdade não garante justiça em suas trajetórias. É nesse descompasso que a equidade se torna essencial, e que trocar o “menos” pelo “mesmo” ganha significado.
A campanha será veiculada nas redes sociais do Instituto Natura Brasil, dos países hispânicos e da Avon Hispana, convidando a sociedade a colocar em palavras situações muitas vezes naturalizadas para ampliar a conscientização sobre fatores que ainda influenciam a vida de milhões de mulheres.
Promover equidade passa pelo fortalecimento de políticas públicas, pela ampliação do acesso à informação e por processos contínuos de conscientização. Tornar visível o que muitas vezes permanece implícito é parte importante desse caminho.
Neste 8 de março, “que tudo seja o mesmo” vai além de um mote de campanha. A expressão convida à reflexão sobre as condições necessárias para que direitos e oportunidades se traduzam, na prática, em trajetórias mais equitativas para as mulheres.





