Carreira docente no Brasil: avanços na remuneração e desafios para atrair professores


Estudo mostra melhora no salário inicial do magistério, mas revela entraves na formação, nas condições de trabalho e no desenvolvimento profissional.

O salário inicial dos professores das redes estaduais aumentou de forma consistente nos últimos anos. Ainda assim, a profissão segue enfrentando desafios importantes para se tornar mais atrativa e sustentável ao longo do tempo. Esse é o ponto de partida do novo episódio do Podcast do Instituto Natura, que discute como diferentes aspectos da carreira influenciam diretamente a qualidade da educação no país.

Entre 2009 e 2025, o piso do magistério teve um aumento de 412,4%, enquanto a inflação no período foi de 144,1%”, destaca David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura, ao apresentar um dos dados do estudo do Movimento Profissão Docente que embasa a conversa.

Para aprofundar o tema, ele recebe Maria Cecília Gomes, diretora de políticas públicas do movimento, que participou do levantamento sobre as carreiras nas redes estaduais. O estudo mostra avanços, especialmente na remuneração inicial, mas também evidencia diferenças relevantes entre estados e lacunas que ainda dificultam a evolução da profissão.

Cecília chama atenção para um ponto que costuma passar menos visível no debate. “A carreira não é apenas uma tabela de remuneração; ela é um percurso de desenvolvimento profissional”, afirma. Na prática, isso envolve desde a forma como novos professores ingressam na rede até as condições de trabalho, a formação continuada e as possibilidades reais de crescimento ao longo da trajetória.

Entre os elementos que ajudam a dar mais consistência a esse percurso, está a organização da jornada. Hoje, a maior parte dos estados já prevê carga horária de 40 horas, o que favorece a dedicação à escola e dá sustentação a políticas como a expansão do ensino integral. Outro aspecto importante é o uso do tempo de planejamento. Embora todas as redes garantam o chamado um terço de hora-atividade, poucas conseguem estruturar esse período de forma contínua para formação e troca entre professores.

A conversa também passa por um desafio recorrente: como tornar a profissão mais atrativa. Mesmo com a melhora na remuneração inicial, Cecília reforça que isso, isoladamente, não resolve. “A remuneração não é suficiente para atrair, reter e desenvolver talentos”, esclarece, ao apontar a necessidade de políticas mais amplas, que comecem já na formação e se estendam ao longo de toda a carreira.

Ao reunir dados e experiências de diferentes redes, o episódio ajuda a colocar em perspectiva o que já avançou e o que ainda precisa evoluir. No centro dessa discussão está um ponto que atravessa toda a conversa: fortalecer a carreira docente é condição para melhorar a aprendizagem e, no limite, a qualidade da educação no Brasil.

O Podcast Instituto Natura conta com episódios quinzenais publicados às segundas-feiras.

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