Por que não conseguimos ensinar matemática no Brasil?


Novo episódio do Podcast Instituto Natura discute os desafios da aprendizagem matemática no país, a formação de professores e os caminhos para fortalecer o ensino da disciplina.

Os desafios da aprendizagem matemática no Brasil envolvem tanto o desempenho dos estudantes quanto a formação de quem ensina. Além dos baixos níveis de aprendizagem registrados em avaliações nacionais e internacionais, dados recentes da Prova Nacional Docente revelam fragilidades na preparação dos futuros professores da disciplina. Em 2025, mais de meio milhão de futuros professores participaram da avaliação, criada para aferir o domínio que quem está se formando tem sobre as áreas que vai ensinar. Os resultados, divulgados em maio deste ano, mostraram que 65% dos participantes são proficientes. Em matemática, porém, a proficiência média ficou em 45,9 pontos, em uma escala de zero a cem — a menor entre todas as áreas avaliadas e a única em que a maioria dos participantes ficou abaixo do nível mínimo considerado necessário para dar aulas com qualidade.

Esse diagnóstico orienta o novo episódio do Podcast Instituto Natura, que recebe Kátia Smole, diretora-executiva do Instituto Reúna, em uma conversa com David Saad,, diretor-presidente do Instituto Natura.

Segundo Kátia, o problema acompanha toda a trajetória escolar e está relacionado à formação de quem ensina. Apenas 7% dos estudantes concluem o ensino médio com o conhecimento esperado da disciplina e, já na educação infantil, crianças brasileiras apresentam desempenho inferior ao de países da OCDE em numeracia emergente. “Do começo da educação básica ao final, os nossos dados não são bons“, afirma.

Ao comentar os resultados da Prova Nacional Docente e do Enade das licenciaturas, David chama atenção para o que a avaliação revela sobre a formação inicial de professores. Essa prova não avalia quem já está em sala de aula; avalia quem está se preparando para chegar lá. Mas o resultado indica uma fragilidade que começa antes da sala de aula, já nos cursos universitários que formam professores e professoras na licenciatura, afirma.

A formação inicial dos professores ocupa parte importante da conversa. Para ilustrar esse desafio, Kátia compara a preparação de parte dos futuros docentes à de “um piloto dentro de um carro de Fórmula 1 que não soubesse muito bem a diferença entre embreagem e câmbio“. A metáfora evidencia, segundo ela, que muitos professores chegam às escolas sem dominar plenamente os conhecimentos que precisarão ensinar.

O episódio também discute caminhos para enfrentar esse desafio. Entre eles estão o fortalecimento da formação continuada, a troca de experiências entre professores, o acesso a materiais de apoio e o uso de recursos como a inteligência artificial no planejamento das aulas. A conversa aborda ainda o Compromisso Nacional Toda a Matemática,, iniciativa do Ministério da Educação que estabelece metas específicas para a disciplina e busca fortalecer tanto a formação inicial quanto a continuada de professores.

Apesar do cenário desafiador, Kátia acredita que há razões para olhar o futuro com confiança. Para ela, os estudantes brasileiros têm potencial para aprender matemática e o avanço dessa agenda depende de cuidar melhor da formação dos professores e garantir a continuidade das políticas públicas. “Os nossos estudantes não têm um problema genético ou cognitivo que os impeça de aprender“, conclui.

Ouça o episódio completo

O Podcast Instituto Natura conta com episódios quinzenais publicados às segundas-feiras. Ouça o episódio completo nas plataformas de áudio e acompanhe outras conversas sobre os desafios e as oportunidades da educação na América Latina.

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