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Estadão, Fundação Lemann e Instituto Natura realizaram evento para dialogar sobre o futuro das avaliações educacionais

O debate online foi mediado pela jornalista Renata Cafardo e dividiu-se em três momentos: as perspectivas para o futuro do SAEB, a importância e os desafios da avaliação no contexto da Covid-19 e os diagnósticos e intervenções para a alfabetização na idade certa. 

Para iniciar a manhã do dia 15 de julho, o seminário recebeu a fala de abertura de Andreas Schleicher, Diretor de Educação e Habilidades na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “No meio de tantas incertezas que enfrentamos atualmente, o SAEB é uma âncora. É a consciência do sistema educacional brasileiro. É um farol que fornece orientação e vocês deveriam estar muito orgulhosos disso.”, disse Schleicher. 

1º painel: repensando o SAEB

Em seguida, o primeiro painel trouxe uma análise inédita da OCDE sobre o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e as mudanças que têm sido debatidas por especialistas levando em consideração a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e experiências internacionais. Estiveram presentes a Caitlyn Guthrie, Analista de Políticas do Diretório de Educação e Competências da OCDE; o Daniel de Bonis, Diretor de Políticas Educacionais da Fundação Lemann; o George Bethell, MA, MSc, BSc e diretor da Anglia Assessment do Reino Unido; e a Maria Helena Guimarães de Castro, Presidente do Conselho Nacional de Educação. 

“Aqui no Brasil, nós não temos um sistema de governança do SAEB que garanta a continuidade das ações com alguma estabilidade e compromisso, não só com as questões dos estados e municípios que realmente são aqueles que respondem por 85% da educação básica do Brasil, além das escolas particulares, mas principalmente nós não temos uma garantia do papel dos especialistas neste processo”, disse Maria Helena destacando a importância de um corpo técnico e a institucionalização para a melhoria do SAEB. 

2º painel: importância e desafios da avaliação no contexto da Covid-19

O segundo painel teve foco no contexto atual da pandemia do novo coronavírus no Brasil, que impõe desafios e reforça, ainda mais, a necessidade de compreender os impactos da crise na aprendizagem dos estudantes. Compuseram a mesa: João Pedro Azevedo, Economista líder do Banco Mundial; Kátia Schweickardt, Professora da Universidade Federal do Amazonas; e Rossieli Soares, Secretário de Estado da Educação de São Paulo. 

João Pedro Azevedo, avaliou que “talvez esse seja o SAEB mais importante da história” e alertou que “a maior evasão pode vir após o processo de reabertura. Se nosso sistema não for capaz de identificar as necessidades dessas crianças, nós podemos ter consequências drásticas. Medir essa perda é muito importante.” Rossieli concordou que  “tem que ter avaliação este ano, no mínimo amostral, para você entender os impactos da pandemia na educação. O resultado vai ser muito ruim. Estamos discutindo novos modelos de avaliação, mas avaliar é importantíssimo.” 

Complementando o debate, Kátia Schweickardt falou que “estamos no momento de reformular o que esperamos como potencial da educação. Já vínhamos dizendo que só transmitir conteúdo não é suficiente, e agora isso se agrava. Um ambiente de aprendizagem implica interação”. 

3º painel: Alfabetização na Idade Certa

O terceiro painel dialogou diretamente com a atuação do Instituto Natura no apoio a políticas públicas de alfabetização na idade certa em regime de colaboração. O objetivo foi aprofundar a discussão sobre os processos de leitura e de escrita, tão impactados pela suspensão das aulas presenciais, e tão fundamentais para o sucesso na trajetória escolar dos alunos. As especialistas desta mesa foram: Ana Selva, Secretária executiva de Desenvolvimento da Educação de Pernambuco; Andréa Maria Bernardino, Professora de Educação Especial da Escola Estadual Pontezinha – PE; e Priscilla Bacalhau, Consultora de impacto social. 

Relacionando a alfabetização e a importância da avaliação, Ana Selva destacou que “é fundamental fazer uma avaliação diagnóstica para poder saber exatamente em que ponto você está encontrando aquela criança, para você poder planejar de fato a suas intervenções nesse processo que prima especialmente pelas interações.”

Um exemplo é a experiência da professora Andréa Maria Bernardino que se surpreendeu com o recente resultado da avaliação pré-teste de fluência realizada em alguns de seus alunos: “me surpreendeu, por ver, em meio a pandemia, crianças que tiveram sim avanços. Tivemos crianças com fluência na leitura e na compreensão do texto. Então, a gente pode ver que nosso trabalho não foi em vão”, referindo-se ao esforço para realizar o ensino emergencial não-presencial.  

Por fim, Priscilla Bacalhau trouxe como exemplo de esperança o PAIC – Programa de Alfabetização na Idade Certa – “a experiência do Ceará, a alfabetização na idade certa foi uma iniciativa pioneira e bastante relevante do Ceará […] que tem resultados bastante promissores e que nos ajudam a nos deixar mais otimistas de que, sim, é possível recuperarmos.” 

Assista ao evento “O Futuro das Avaliações Educacionais: evidências para promover a aprendizagem” completo: