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Conheça a Escola Estadual Indígena Yvy Poty de Ensino Médio Integral no Mato Grosso do Sul

Yvy Poty foi a primeira escola indígena a implementar o Ensino Médio Integral no MS em 2019. Ela oferece um ambiente multilinguístico, com aulas em guarani e em língua portuguesa, e proporciona um espaço de valorização da cultura indígena local.

O diretor da escola, Valdinei Mendonça, conta sobre as transformações que a escola, que se localiza a 300km da capital, tem passado desde que se tornou de tempo integral. O primeiro diferencial já começa nas acolhidas, a forma como os estudantes são recepcionados no início do ano. Ele conta que “tem vezes em que os alunos tocam uma música, outras em que leem um trecho de um livro que gostam, dançam ou cantam”. Esse momento reúne os estudantes de todas as turmas, a equipe pedagógica e administrativa, gerando um clima de entrosamento entre todos. Para não deixar ninguém de fora, Valdinei conta que “tem vezes que eles vão na cozinha fazer acolhida com as merendeiras, porque elas estão preparando os lanches deles e não podem sair, tocam uma música para elas e falam palavras de agradecimento”.

Outro destaque é a proposta de ensino pautada por temas geradores, no qual todas as turmas pesquisam um determinado tema. Um exemplo foi o tema água: “tem dias que as turmas vão até a nascente e fazem um diagnóstico dela, quais são os problemas ambientais que existem, o que precisa ser feito para recuperar e qual ação pode ser feita”, compartilhou Valdinei.

Para o coordenador pedagógico Rodinei Marques, o Ensino Médio Integral, ao estimular o protagonismo e propor que os estudantes conduzam diferentes iniciativas, induz os jovens a tomarem iniciativa e decisões de maneira proativa, além de colaborar para fortalecer os vínculos de amizade e a valorização da comunidade. Rodinei destaca a importância de trabalhar a perspectiva e os sonhos dos estudantes e conta que “eles sonham alto, tem um que quer ser veterinário. Eu fiz um levantamento e a maior parte quer engenharia civil, engenharia mecânica, medicina”.

Para ele, a escola deve trabalhar para formar jovens autônomos, competentes e solidários. “O jovem ser autônomo é ele não esperar que a outra pessoa faça, é ele ter iniciativa; ser solidário é ajudar outra pessoa sem precisar pedir, chegar e já ser solidário com ela; e competência é saber decidir, saber diferenciar e decidir a coisa certa, perceber o que é bom para ele.”

Na escola Yvy Poty o ambiente é multilinguístico, as aulas são em guarani e em língua portuguesa, além de contarem com aula de inglês. O Ensino Médio Integral contribuiu com a comunidade, pois além de colaborar para a formação socioeducacional de qualidade dos seus jovens, também é um espaço de valorização da cultura indígena local.

A experiência do Mato Grosso do Sul com a introdução e expansão das escolas de Ensino Médio Integral, evidencia, portanto, o potencial de transformação que essa política traz, oferecendo uma formação acadêmica de qualidade, aliada ao fomento do protagonismo e do desenvolvimento de competências socioemocionais, tendo o jovem e seu projeto de vida no centro da proposta.

*A conversa com Valdinei e Rodinei foi realizada em 2019, antes da pandemia de Covid-19.